/ El establo de Pegaso: Fernando Pessoa

miércoles, 12 de noviembre de 2008

Fernando Pessoa

POEMA EN LINHA RETA



Paulo Autram recita Poema en Línea Recta deL heterónimo Alvaro Campos

POEMA EN LINHA RETA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


POEMA EN LÍNEA RECTA

Nunca conocí a nadie a quien le hubiesen dado una paliza.
Todos mis conocidos han sido campeones en todo.
Y yo, tantas veces miserable, tantas veces puerco, tantas veces vil,
yo, tantas veces irresponsablemente parásito,
indisculpablemente sucio,
yo, que tantas veces no he tenido paciencia para bañarse;
yo, que tantas veces he sido ridículo, absurdo,
que he tropezado públicamente en las alfombras de las solemnidades,
que he sido grotesco, mezquino, sumiso y arrogante,
que he sufrido injurias y callado,
que cuando no he callado he sido más ridículo todavía;
yo, que he resultado cómico hasta a las criadas de hotel,
yo, que he sido motivo de burla para los mozos del puerto,
yo, que he hecho trampas financieras, pedido prestado sin pagar,
yo, que cuando la hora de los puñetazos surgió, me he escondido
allí donde no podían llegar.
yo, que he sufrido la angustia de las pequeñas cosas ridículas,
me doy cuenta que no tengo semejante en todo esto en el mundo.
Toda la gente que conozco y que habla conmigo
nunca hizo nada ridículo, nunca sufrió injurias,
nunca fue sino el número uno -todos ellos el número uno- en la vida...
¡Ojalá pudiera oír una voz humana
que confesase no un pecado, sino una infamia;
que contase, no una violencia, sino una cobardía!
No, son todos perfectos, si los oigo y me hablan.
¿Quién hay en este ancho mundo que me confiese que una vez fue vil?
¡Oh campeones, hermanos míos,
largo, que estoy harto de semidioses!
¿Es que no hay gente vulgar en este mundo?

¿Es que soy el único vil y equivocado en esta tierra?

Podrán las mujeres no haberlos amado,
podrán haber sido traicionados -pero ridículos ¡nunca!-
Y yo, que he sido ridículo sin haber sido traicionado,
¿cómo puedo hablar con mis superiores sin titubear?
Yo, que he sido vil, literalmente vil,
vil en el sentido mezquino e infame de la vileza.

La traducción es de Ángel Crespo

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2 comentarios:

mariah dijo...

Olá,Establo Pegaso, muito grata pela sua leitura ao poema de "o mar atinge-nos".

Claro que pode publicá-lo com o meu nome de escrita que é Maria azenha.

(...)

Não conhecia este seu espaço.

É de beleza e sabedoria.

Posso linkar ?


Abraço grande,
mariah

Sebastian A. Iglesias O. dijo...

Muy buen autor, expresa mucho en sus escritos.